Não tem explicação, não tem, não...

sábado, 29 de agosto de 2009

Rute

Algo mais que chama a atenção no livro de Rute são os nomes das pessoas. No Antigo Testamento, os nomes não eram dados por acaso; geralmente eles representavam uma situação que estava sendo vivenciada no momento pelo filho, pela família ou pela nação. Quando lemos o livro de Rute os nomes, particularmente, chamam a nossa atenção. Elimeleque significa ‘Deus é rei’; Noemi significa ‘deleite’; Malom significa ‘doentio’; Quiliom significa ‘tuberculose’; Orfa significa ‘rebelde’; e Rute significa ‘companheira’. Sem dúvida, esses nomes apresentam algo sobre realidade das pessoas ou das situações que existiam ao redor delas. Elimeleque provavelmente recebeu o seu nome como referência à boa situação em que se encontrava Judá no tempo do seu nascimento: o governo de Deus e a prosperidade do povo. E o mesmo se pode dizer quanto ao nome de Noemi. Quanto aos filhos, parece que provavelmente esses nomes não se referem a uma situação do povo de Judá, mas sim à sua própria saúde. É provável que, ao nascerem, eles tinham a saúde bastante debilitada, e sem dúvida a sua morte prematura parece revelar essa realidade de enfermidade em seus corpos. Por causa disso, eles certamente não poderiam conferir às pessoas a segurança de que estariam para sempre juntos.
Com que tipos de pessoas nós devemos estabelecer relacionamentos profundos: com aquelas que não nos oferecem qualquer segurança de estarem continuamente do nosso lado ou com as que buscam viver uma vida íntegra? Quando buscamos estabelecer relacionamentos, é muito importante nós conhecermos a “saúde interior” das pessoas. Há muitos que são instáveis, cheios de problemas dentro delas mesmas, e por isso ora estão ‘numa boa’, ora estão ‘numa péssima’. Sem dúvida, esse não é o tipo de pessoa com a qual nós devemos estabelecer relacionamentos profundos, especialmente visando o namoro e o casamento. Esse tipo de pessoa não pode trazer segurança; ela vive em função dela mesma, da própria enfermidade. E, no fim, ela vai trazer aflições para a sua vida. Precisamos buscar pessoas verdadeiras, transparentes, saudáveis, equilibradas, não possessivas e que, sobretudo, tenham o temor do Senhor no coração. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e é ele que direciona a pessoa para o equilíbrio. Busque se relacionar com pessoas que sejam bênção para a sua vida.
Rute reconheceu que a família, as tradições e o deus de Malom eram também a sua família, as suas tradições e o seu deus. Ela não havia se ligado a eles por conveniência, mas por convicção. O que unia Rute a Noemi e a tudo o mais era o amor verdadeiro. Um dos sinais mais evidentes da pureza e da veracidade do relacionamento entre Rute e Noemi é a confissão de Rute em Rt 1.16,17. Essa confissão é um retrato do verdadeiro amor que deve existir entre duas pessoas e também de tudo aquilo que garante a inteireza e eternidade de um relacionamento. Todo verdadeiro relacionamento entre cristãos sempre estará pautado nessas palavras: “Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o Senhor o que lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti”.
Nesse tipo de relacionamento cada pessoa vai buscar fazer aquilo que é melhor para a outra, segundo os princípios de Deus. Se alguém está triste por causa de alguma situação, você, que é amigo, é capaz de renunciar à sua vontade de sair ou ir a uma festa para estar com esse amigo. Aquele que tem o amor de Deus na sua vida é capaz de renunciar aos seus impulsos sexuais em favor daquele que deseja preservar puro. Ele é capaz de renunciar ao seu orgulho próprio a fim de se aproximar de alguém para pedir perdão. Ele é capaz de se doar em favor do outro para que o outro seja bem sucedido. Assim também o relacionamento do homem com Deus só é possível se acontecer sobre essas mesmas bases. O homem que se aproxima de Deus, simplesmente para conseguir favores de Deus, nunca conseguirá se relacionar verdadeiramente com Ele. Apenas o verdadeiro amor pode segurar uma pessoa nos braços de Deus.
Nos versículos 7 a 9, lemos que Rute tomou a iniciativa de se aproximar de Boaz e de dar-lhe uma dica de que ela estava gostando dele. Às vezes, os homens precisam receber um “toque” da moça, e não há problema nenhum nisso. Mas tudo, certamente, dependeria da resposta de Boaz. No versículo 11, nós lemos a resposta de Boaz: “Agora, pois, minha filha, não tenhas receio; tudo quanto disseste eu te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa”. A resposta de Boaz revela que, sem dúvida, o homem que deseja se casar é um homem decidido. O homem que é sério e que deseja se casar também o é. Ele não fica “enrolando” a moça com histórias, desculpas, idéias, confusões, impedimentos e resistências. Ele tem os seus olhos no casamento e no lar que ele irá formar.Além disso, o homem que busca o casamento se desdobra para resolver as pendências que o impedem. Nos versículos 12 e 13 lemos as seguintes palavras de Boaz: “Ora, é muito verdade que eu sou resgatador; mas ainda outro resgatador há mais chegado do que eu. Fica-te aqui esta noite, e será que, pela manhã, se ele te quiser resgatar, bem está, que te resgate; porém, se não lhe apraz resgatar-te, eu o farei, tão certo como vive o Senhor” Boaz desejava se casar com Rute, mas, antes, precisava resolver as pendências referentes ao outro resgatador. O homem que deseja se casar não se deixa abater por questão nenhuma. As dificuldades, pouco dinheiro ou pouco estudo não são impedimentos, porque ele sabe que pode se esforçar para superar essas coisas. Entretanto, no tocante aos estudos, seria melhor que os jovens se preparassem mais desde cedo. Talvez a maior dificuldade das moças na igreja seja a de encontrar jovens que estudem; muitos pararam seus estudos e dizem que não têm tempo. Na verdade, quem faz o tempo é você.
No último versículo do capítulo 3, já temos uma noção do que acontecerá no capítulo 4; afinal, o próximo passo depois da conquista é o casamento. Essa era a convicção de Noemi. Ela sabia que Boaz não descansaria enquanto não resolvesse todas as coisas para o casamento.De fato, foi isso o que aconteceu. Tão logo o dia amanheceu, Boaz se levantou da eira onde havia passado a noite e foi-se para a cidade. Entretanto, ele não entrou na cidade de Belém, mas ficou na porta. Naquele tempo, a porta da cidade era o local onde se realizavam as transações comerciais e jurídicas, e Boaz tinha uma questão importante para resolver. Ao ver chegar o outro possível pretendente, Boaz o chamou e, para decidir sobre a questão, convocou dez anciãos. Naquele tempo, os anciãos eram os responsáveis por realizar todos os julgamentos e decidir sobre todas as questões da cidade. Os anciãos eram pessoas respeitadíssimas e tidas como as mais sábias dentre todas as pessoas.Chegando os anciãos, Boaz apresentou a questão a ser resolvida. Tudo consistia nas propriedades de Noemi, que estavam à venda, e na necessidade de se suscitar um descendente para a família de Elimeleque. O outro pretendente estava interessado em comprar as propriedades de Noemi; contudo, ele não queria se envolver com o casamento. Por isso, ficou decidido, depois de receber a bênção das autoridades da cidade, que Boaz seria tanto o comprador das terras quanto o cônjuge de Rute. Ambos coabitaram e o Senhor lhes concedeu um filho, Obede. Após narrar o nascimento de Obede, o livro de Rute acrescenta uma breve genealogia, mostrando todos os descendentes do casal até Davi, que foi um dos mais importantes reis que Israel já teve.Esse capítulo, além de nos contar a história do casamento entre Boaz e Rute, também nos conta como o casamento entre os dois foi bem sucedido, com muitos descendentes. Por causa dessa ênfase podemos dizer que esse capítulo nos revela algumas marcas do casamento bem sucedido.A primeira marca de um casamento bem sucedido se chama amor sacrificial ou amor incondicional. Já vimos que esse amor existia em Rute quando percebemos que ela abandonou o seu povo, os seus deuses e as suas tradições por causa do seu amor a Deus e a Noemi. Vimos como, em Belém, ela se dispôs a fazer todo o possível para agradar a Noemi, e também como ela se submeteu a Boaz quando se deitou aos seus pés. No tocante a Boaz, especialmente os versículos 9 e 10 nos revelam que esse amor era uma marca em sua personalidade: “Então Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: Sois, hoje, testemunhas de que comprei da mão de Noemi tudo o que pertencia a Elimeleque, a Quiliom e a Malom; e também tomo por mulher Rute, a moabita, que foi esposa de Malom, para suscitar o nome deste sobre a sua herança, para que este nome não seja exterminado dentre seus irmãos e da porta da sua cidade; disto sois, hoje, testemunhas”.Quando Boaz começou a conversar com o outro pretendente, ele primeiramente falou da existência de uma terra que estava à venda. Prontamente o outro resgatador disse que a compraria. Esse interesse pela terra é muito fácil de compreender: comprando mais terrenos, a pessoa teria mais espaço para plantar e, conseqüentemente, maior colheita e maior lucro. Contudo, Boaz continuou dizendo: “No dia em que tomares a terra da mão de Noemi, também a tomarás da mão de Rute, a moabita, já viúva, para suscitar o nome do esposo falecido, sobre a herança dele” (versículo 5). Diante dessa nova situação, o outro resgatador desanimou da compra, pois aquilo que ele pensava ser lucrativo na verdade lhe traria prejuízo. Assumindo a responsabilidade da compra e do resgate, Boaz revelou que estava disposto a fazer qualquer coisa por causa de seu amor por Rute. Ele estava disposto a sacrificar inclusive o seu dinheiro, aplicando-o em algo que não lhe traria qualquer retorno financeiro, simplesmente porque ele amava aquela mulher. Nenhum casamento subsiste se os cônjuges não se amarem dessa maneira, renunciando às suas próprias vontades em favor do outro. Essas renúncias revelam o amor sacrificial ou incondicional de um cônjuge pelo outro.Nos versículos 11 e 12, vemos uma segunda marca para o casamento bem-sucedido: a concordância, a aprovação e a bênção das autoridades. O texto diz assim: “Todo o povo que estava na porta e os anciãos disseram: Somos testemunhas; o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Lia, que ambas edificaram a casa de Israel; e tu, Boaz, há-te valorosamente em Efrata e faze-te nome afamado em Belém. Seja a tua casa como a casa de Perez, que Tamar teve de Judá, pela prole que o Senhor te der desta jovem”. Por reconhecer a força e a autoridade dos anciãos, Boaz foi à porta da cidade. Ele sabia que não podia, simplesmente, agir de acordo com o seu ímpeto, mas precisava ser respaldado e abençoado pelas autoridades. Infelizmente, há muitos jovens que desconhecem o princípio de autoridade. Eles ignoram o fato de que Deus, ao instituir uma autoridade sobre uma pessoa, capacitou-a para oferecer palavras e conselhos sábios. Hoje em dia há muitos jovens vivendo situações complicadas, simplesmente porque decidiram se rebelar contra as palavras dos pais, que são autoridade sobre eles.Por fim, a terceira marca de um casamento bem sucedido é a descendência abençoada. A descendência de Boaz e Rute pode ser vista em Mateus 1.5,16. Nós podemos reconhecer que um casamento foi bem sucedido se os filhos do casal são homens e mulheres abençoados.

Um comentário:

Vitinho Lessa disse...

Olá, muito bom seu blog, e já confesso, roubei sua imagem...peço que me perdoe.